A crise e a resiliência

24-10-2012 15:24

Tempos de crise são sempre tempos de incerteza, de inseguranças, de medo do desconhecido. O que irá acontecer? O que iremos ter que passar? Com o que podemos contar? São alguns dos desabafos que ouvimos diariamente. E todas estas questões e as dificuldades que, a maioria das pessoas, estão a atravessar acabam por funcionar como factores desencadeadores de stress e potenciam o aparecimento de perturbações de ansiedade, depressivas ou até mesmo outro tipo de perturbações mentais.

Assim sendo, é importante que consigamos reagir de forma adequada, saudável e o mais adaptativamente possível, face às mudanças impostas pela conjectura social e económica que atravessamos. Resiliência parece ser um dos conceitos-chave para essa adaptação. Não, não é um medicamento milagroso, mas a capacidade de se adaptar às mudanças. Ou seja, a resiliência é um conceito da física para denominar a capacidade que um material tem para suportar tensões, pressões, intempéries e adversidades e manter a sua integridade, a sua essência. Psicologicamente falando, o conceito de resiliência é atribuído a processos que explicam a superação de crises e adversidades em indivíduos, grupos e organizações. Esse conceito revela a capacidade de suportar dor, ultrapassar obstáculos, gerir conflitos, contornar entraves e adaptar-se a mudanças psicossociais. Sendo assim, temos que nos esforçar para desenvolver a resiliência e educar os nossos filhos nesse sentido. E como o podemos fazer? Apesar das dificuldades não devemos desistir e é sempre importante manter uma atitude positiva face à vida e face ao futuro, transmitindo essa forma de estar na vida aos nossos filhos. Lembremo-nos de outras dificuldades ou crises ao longo da vida que já fomos capazes de superar.

Muitos de nós têm razões para se lamentar, para andar ansiosos e preocupados, mas, infelizmente, esses comportamentos não vão resolver os problemas, pelo contrário, vão agravá-los porque diminuem o bem-estar emocional e psicológico. Sendo assim, perguntemos a nós próprios: o que posso fazer para arranjar soluções alternativas? Ou seja, não fiquemos à espera das soluções, tomemos uma atitude proactiva e talvez descubramos que temos capacidades e competências que nem imaginávamos. Tracemos pequenos objectivos para nos motivar e encontremos alegria nos gestos mais simples para nos ajudar a manter o equilíbrio psicológico: um sorriso, a afectividade dos outros, uma palavra amiga.
No entanto, nem tudo está ao nosso alcance, mas são também nestas alturas que descobrimos que, à nossa volta, existe uma rede social que nos surpreende com a sua solidariedade e com valores que julgávamos perdidos. Não receie pedir ajuda, não perca a esperança de um futuro melhor, corra atrás da felicidade!

Ana Paula Reis
Sónia Gaudêncio Oliveira
Psicólogas Clínicas  NUPE

 

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