Altruísmo

24-10-2012 12:14

Ana Paula ReisA palavra altruísmo foi criada por Auguste Comte, filósofo francês, que em 1830, caracterizando-o como o grupo de disposições humanas, sejam elas individuais ou colectivas, que inclinam os seres humanos a se dedicarem aos outros.

Quando falamos de altruísmo, geralmente estamos a referirmo-nos a uma acção em que, para beneficiar o outro, o indivíduo paga um custo ou um prejuízo para si próprio. Embora, o altruísmo tenha importância social, é muito mais uma acção pessoal, motivada por razões pessoais de diferentes tipos e voltada a alvos particulares.

Um homem altruísta age de modo a conciliar a sua satisfação pessoal com o bem estar e a satisfação dos outros, da sua família e da sua comunidade. Os instintos naturais de benevolência isoladamente não constituem o altruísmo. Só podemos falar em altruísmo se este for um estado habitual, substituindo continuamente os instintos egoístas, tornando-os menos activos e mais controláveis.

A teoria evolucionista, assim como a sociologia, ensinam-nos que quando um grupo é ameaçado, muitos dos seus membros unem-se para cooperar. Isso, pode ter a ver com o facto de que, quando os grupos competem entre si, aqueles com mais indivíduos altruístas são mais bem-sucedidos, porque há uma maior cooperação. Dentro do grupo, faz sentido para o indivíduo, do ponto de vista puramente racional, seja egoísta, porque o egoísta não precisa de pagar nenhum preço e ainda goza da ajuda de todos. Mas, se o grupo é ameaçado, o comportamento altruísta aumenta. De novo, é muito difícil apontar as motivações, mas é um facto que, quando um grupo se sente sob ameaça ou perigo, muitos de seus membros vão passar, de repente, a agir com o grupo, em vez de agirem por si próprios.

O tamanho do grupo pode influenciar o altruísmo: sabemos que quanto menor a comunidade, mais provável é que as pessoas cooperem umas com as outras. Platão  disse que, o tamanho ideal de uma cidade seria grande o suficiente para as pessoas não saberem o nome umas das outras, mas pequena o suficiente para que todos fosse capazes de reconhecer os outros pela fisionomia. Não há dúvidas de que, a inter-relação entre o tamanho  do grupo e o sentimento de proximidade têm um papel importante na evolução do nosso sentido moral, de justiça e de vergonha, portanto, na nossa habilidade de agir altruisticamente em relação ao próximo.

Os indivíduos que agem altruisticamente o tempo todo, não apenas quando as coisas ficam realmente difíceis, podem fazê-lo por várias razões: porque foram educados de forma a promover e a valorizar o altruísmo, ou porque eles são mais empáticos que os outros, e, sim, parece haver uma grande variação de empatia e altruísmo nas populações humanas.

Não há dúvidas de que, a educação e a cultura também têm um papel importantíssimo. Claramente, se  somos ensinados a respeitar os outros como a nós mesmos, e a valorizar esse preceito, a nossa visão sobre a vida e os outros será diferente, do que o de alguém que aprendeu a olhar em primeiro lugar para si próprio. A cultura e a educação realmente contam mais do que qualquer outra coisa.

 

Ana Paula Reis
Paula Pimentel
Psicólogas Clínicas – Directoras do NUPE

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