O silêncio e a homossexualidade

07-11-2012 11:22

Muito se investiga hoje em torno do tema “homossexualidade”. Escaparates de concepções, presunções, infalibilidades, precisões científicas que, circunstancialmente, arrumam e congelam o que é tão relevante e que deve ser desvelado outra e outra vez: os diferentes sentires, as dificuldades da revelação e as angústias pelo silêncio.
Não desmerecendo nem retirando importância a muito do trabalho feito até hoje. Certamente que quanto mais se clarificar, melhor se reconhece a complexidade, embora pareça, por vezes, provocar entorpecimento diante o sofrimento vivido. Torna-se de difícil escuta, nesta paralisia, as palavras que emergem na tristeza, na dor e solidão de quem se encontra, se assume, se revela na homossexualidade.
Seja por desamparo social e reclusão a fastidiosas escolhas vendidas como ditaduras de felicidade; seja por se sentir fustigado por dedos que não se apontam mas que residem aproados nas meias-palavras, nos olhares esquivos, nos julgamentos, nas perguntas dos maldizentes; seja porque se é único filho e única esperança da realização dos desejos e quereres da família; seja ainda porque persistem dúvidas, incompreensões, vedações no acesso à própria sexualidade que é um percurso em determinados casos enublado e em algumas fases pouco definido, assustando. São inúmeras as razões para o sofrimento quase insuportável e causador de um silêncio que poderá contaminar o universo interno e externo da pessoa.
É preciso estar atento, escutar o silêncio ensurdecedor. A revelação ou a descoberta da homossexualidade pode significar um grande sofrimento interno, que poderá ter um impacto psicológico significativo e inúmeras consequências negativas para o indivíduo.
A discriminação, a estereotipia e o estigma estão muitas vezes na origem da violência e das assumpções. É importante que se discuta ainda mais, que se revelem as dificuldades que ainda existem e que podem pôr em risco a saúde mental, em particular no período da adolescência.
Neste casos, o acompanhamento psicológico é fundamental para que haja menos sofrimento e maior abertura.

Ana Paula Reis – Psicóloga Clínica (Directora do NUPE)
Madalena Motta Veiga – Psicoterapeuta do NUPE

 

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