Presentes de Natal

22-12-2012 11:47

Natal é uma das épocas especiais do ano. Multiplicam-se as festividades, os jantares entre amigos e é a época da reunião da família por excelência. Paira no ar um espírito mais solidário, de interajuda ao próximo, trazendo à flor da pele a sensibilidade e a afectividade das pessoas. É talvez esta a chamada “magia do Natal” e o verdadeiro espírito natalício, que independentemente das crenças religiosas de cada um, leva a que a maioria das pessoas sinta necessidade do convívio com os outros, de perdoar e esquecer mágoas antigas e de contribuir para a felicidade de alguém, quanto mais não seja, contribuindo e participando em campanhas solidárias que se multiplicam nesta época.
No entanto, também depressa o Natal se tornou num dos símbolos da sociedade consumista, onde misturado com o espírito natalício de amor e paz, surge a azáfama da compra de presentes. Presentes, presentes e mais presentes que fazem a alegria das crianças (e de alguns adultos também), mas que, principalmente em épocas de crise como a que atravessamos actualmente, se tornam numa sobrecarga no orçamento familiar e em mais uma dor de cabeça, acabando por adulterar o espírito da época e deixar para segundo plano, o que realmente importa: a harmonia familiar, a interajuda, o amor, a amizade.
A seguinte história exemplifica bem o que acabámos de dizer. Um menino de 3 anos de uma família com dificuldades económicas, foi apanhado pelo pai a embrulhar uma caixa com um papel dourado que a família tinha reservado para um presente especial. Zangado com o filho e achando que estava a desperdiçar o papel para brincar, o pai pô-lo de castigo. Entretanto o menino disse-lhe que não era uma brincadeira e que aquele era um presente que ele iria oferecer ao pai. Mais tarde, quando o pai abriu o presente encontrou a caixa vazia e novamente se zangou com o filho, perguntando-lhe se ele não sabia que um presente tinha que ter algo lá dentro e que aquela caixa estava vazia. Muito triste, o filho explicou-lhe que a caixa não estava vazia porque estava cheia de beijinhos soprados por ele, lá para dentro, com muito amor e carinho e que eram todos para o pai. Perante esta explicação, o pai ficou muito embaraçado e arrependido pelo que tinha dito. Abraçou o filho, pediu-lhe muitas desculpas e disse-lhe que tinha sido o melhor presente que alguma vez tinha recebido. Ao longo da sua vida, o pai guardou a caixa no seu quarto e sempre que estava triste, deprimido ou aborrecido, agarrava nela e sentia-se melhor.
É importante reflectir nesta pequena história e neste Natal, talvez possamos incluir na nossa lista de presentes, pequenos gestos que apesar de simples possam fazer a diferença e que serão sem dúvida mais valiosos do que qualquer presente caro… beijinhos, abraços, amizade, amor, solidariedade. Ofereçamos sentimentos, personalizemos os nossos presentes e enchamos o nosso coração e dos que nos são próximos com a “magia do Natal”!

Ana Paula Reis – Psicóloga Clínica (Directora do NUPE)
Sónia Gaudêncio Oliveira - Psicóloga Clínica do NUPE

 
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