Parques de Sintra recupera jardim botânico do Palácio Nacional de Queluz

A Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML) iniciou as obras de recuperação do jardim botânico do Palácio Nacional de Queluz, com um investimento superior a meio milhão de euros, anunciou hoje a sociedade de capitais públicos.
 
A intervenção tem por objetivo a reconstituição do jardim botânico setecentista, destruído pelas cheias de 1983, com a investigação histórica das estruturas do espaço e da coleção botânica original, informa a empresa, em comunicado enviado à Lusa.
 
"Procedeu-se também à recolha e análise de vários elementos que se encontravam dispersos, tais como troços de balaustrada, lagos, cantarias, estatuária e lajes", acrescentou a nota, referindo que o projeto tem sido acompanhado por sondagens arqueológicas.
 
Além da reconstrução das quatro estufas dedicadas ao cultivo de ananases, com base em cantarias originais e na informação histórica, pretende-se ainda repor o lago central setecentista lavrado em cantaria, a estatuária, as balaustradas, os pavimentos e a coleção botânica em canteiros, estufas e floreiras dos alegretes.
Segundo a empresa, o ananás era cultivado no século XVIII nas estufas de Queluz, e "motivo de grande orgulho para a casa real portuguesa", como demonstra a sua utilização nos elementos decorativos de cantaria e nos azulejos do interior do monumento do concelho de Sintra.
 
Os trabalhos de conservação e restauro de outros elementos pré-existentes, como paramentos, cantarias, muretes decorativos do pórtico de entrada, muros, revestimentos em reboco, bancos, alegretes, azulejos, esculturas e plintos também fazem parte do projeto.
 
"A rede de infraestruturas será dimensionada, para dar resposta às necessidades ao nível da energia, abastecimento de água e drenagem", adianta a empresa, e as obras não implicam a interrupção dos percursos de visita, de modo a que os visitantes acompanhem o progresso das intervenções.
 
A conclusão da intervenção no jardim botânico está prevista durante o primeiro semestre de 2016, e a PSML conta recuperar também em breve o jardim de Malta, o bosquete, a cascata e a rede de caminhos, bem como a plantação de barreiras verdes para proteção visual da envolvente.
 
A PSML, criada para gerir os parques e monumentos de Sintra, recebeu nos últimos três anos o "World Travel Award", na categoria de "melhor empresa em conservação", e tem como acionistas a Direção Geral do Tesouro e Finanças, o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, o Turismo de Portugal e a Câmara de Sintra.