100 ANOS DE VIDA

O subsecretário de Estado das Obras Públicas, desde 1949 a 1962, Eng. Alberto Saraiva e Sousa comemorou o seu 100º aniversário no Lar Santa Inês, em Cascais, com os seus três filhos (dois filhos e uma filha), netos, bisnetos e amigos.

Nascido em 18  de Fevereiro de 1912, em Trancoso, distrito de Guarda, aos 25 anos de idade já era formado, com distinção, em engenharia civil e doutorado em matemática. No antigo regime, era o membro de governo mais antigo a seguir a Salazar. Abriu a fábrica da SOCEL, em Setúbal (hoje a Portucel) onde esteve até 1964, transitando depois para o Banco Português do Atlântico (até 1975). Foi ainda o presidente do Conselho de Administração da Lusotur e da Marina Hotéis, mas “nunca foi político. Desafiaram-no para ser membro da União Nacional, mas não aceitou. Sempre se assumiu como um técnico e não como político”, revelou ao JR o filho João Saraiva e Sousa.

Com três filhos, sete netos e doze bisnetos, Alberto Saraiva e Sousa viveu no Estoril a partir de 1947. “Gostava muito do Estoril e de se relacionar com as pessoas do Estoril”, acrescentou Diogo Saraiva e Sousa, outro dos filhos. “Viajou muito. Visitou mais de cem países”, disse.

Nos cargos públicos que desempenhou “sempre foi uma pessoa muito bem-disposta e conhecida como tal. Era muito sociável, muito activo e sempre trabalhou muito durante toda a vida”, contou João Saraiva e Sousa que recordou que “em 1974/75, houve muitos saneamentos populares, mas com o meu pai isso não se verificou, embora ele tenha sido elemento do governo de Salazar. Certo dia entrei no Banco Português do Atlântico e um elemento da comissão de trabalhadores disse-me “o seu pai não foi saneado. Sabe porquê? Porque toda a agente gostava dele”. Porque “quando chegava ao banco falava com o porteiro e brincava com as pessoas, com o seu feitio beirão”, acrescentou o filho. “Todos diziam que era uma pessoa muito simpática com um comportamento humilde”.

Viúvo aos 70 anos, passou a viver sozinho no Estoril “mas os familiares sempre estiveram por perto. A família sempre foi bastante unida. Aprendemos isso com a minha mãe que sempre foi muito agregadora da família”, disse o filho Diogo que destacou ainda que “aos 70 anos começou a fumar. Fumou charuto até aos 98 anos e bebia whisky e vinho com moderação”.

“Quando fez 90 anos convidou cerca de 200 pessoas e queria que todos fumassem charuto”. “Nunca o vi cansado e dizia: “Estás cansado, então descansa. Nunca o vi dizer que tinha uma dor de cabeça. Perguntava: O que é isso? Bateste com a cabeça”, contou o filho Diogo, que disse que “ele sempre foi uma pessoa de boa saúde”.

Chegar aos 100 anos de vida foi como um objectivo cumprido. “Ele sempre disse que “eu quero é chegar aos 100 anos e dar o triste pio”, conta o filho João.

No Lar Santa Inês, os familiares vão-se revezando nas visitas, “umas vezes está cá a minha irmã outras vezes estamos nós, mas todos os dias aparece um de nós pelo menos. Estamos também muito satisfeitos com o tratamento que ele tem tido e tem um belíssimo quarto”, disse João Saraiva e Sousa.

Francisco Lourenço