Aeroporto complementar pode ficar no Montijo

Tal como defendem várias autarquias da Margem Sul, a Base Aérea do Montijo tem a pista que reúne melhores condições para receber o aeroporto complementar da Portela, concluíram várias especialista num debate realizado na noite de segunda-feira, no Montijo.

O arquitecto João Leal, que pertence aos quadros da ANA, afirmou que a pista que é hoje utilizada para fins militares no Montijo não é uma solução, mas que a outra pista existente na base é a melhor para ser usada pela aviação civil.

"A pista 01/19 da Base Aérea do Montijo, que fica paralela à Portela, é a melhor aposta para ser usada pela aviação civil na Região de Lisboa", disse, durante um debate organizado pela distrital PSD na noite de segunda-feira.

João Leal referiu que é possível manter a aviação militar na pista que já hoje utiliza e usar a outra pista para a aviação civil, mas lembrou que serão precisos investimentos, como na qualidade do pavimento ou na necessidade de prolongar a pista, que tem 2.187 metros, em cerca de 300 metros.

O piloto Rui Cavaco partilhou a ideia que a pista da Base do Montijo é a que tem melhores condições, explicando que tecnicamente é a que menos interfere com a Portela.

"As questões de segurança são muito importantes e esta pista é a única que não interfere com a Portela das existentes nas bases militares da Região de Lisboa, ao nível dos corredores de aterragem e descolagem", disse.

Os controladores de tráfego aéreo Rui Morais e Albano Coutinho afirmaram ambos que a escolha de Montijo, Sintra ou Alverca irá sempre interferir com o tráfego de Lisboa, o que obrigaria a uma reestruturação dos actuais procedimentos.

Albano Coutinho analisou também as possibilidades de expansão e capacidade para receber infraestruturas das três hipóteses mais fortes para acolher o aeroporto complementar, apontando limitações a Alverca e Sintra, sendo o Montijo a quem tem "uma área de expansão maior".

Fátima Rodrigues, especialista em gestão aeroportuária, recusou comentar as hipóteses em análise, centrando a sua intervenção na necessidade de ser encontrada uma nova infraestrutura que processe todo o tráfego, sem que exista necessidade de rejeitar.

A responsável referiu ainda que irão ser criados cerca de 950 postos de trabalho no novo aeroporto por cada milhão de passageiros transportados,

Segundo João Leal, um estudo do Plano Estratégico de Transportes refere que primeira fase do novo aeroporto complementar está prevista para cerca de 4,5 milhões de passageiros por ano, caso integre todas as companhias low-cost, o que pode significar cerca de quatro mil postos de trabalho.