Base de Sintra não tem condições para aeroporto

A Base Aérea de Sintra não reúne condições operacionais para acolher um aeroporto complementar à Portela, afirma o presidente da Associação de Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APLLA), para quem, Montijo será a melhor das hipóteses apontadas.

"Além de estar localizada numa zona que, em termos orográficos, não tem obstáculos significativos - e isso tem importância na operação das aeronaves -, uma das pistas do Montijo permite operar em simultâneo com a pista mais utilizada no aeroporto de Lisboa. Em Sintra, isso é perfeitamente impossível de acontecer", adianta, à Agência Lusa, o ex-piloto da Força Aérea Portuguesa (FAP).

Pedro Santa Bárbara fez muitas de aterragens e descolagens das pistas da Base Aérea n.º1 em Sintra (BA1) e da Base Aérea n.º6 (BA6) no Montijo, unidades onde prestou serviço. Também operou várias vezes na pista do Depósito Geral de Material da Força Aérea (DGMFA), em Alverca. Actualmente, é presidente da Associação de Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APLLA) e comandante da TAP.

"Em termos de tráfego aéreo, devido à sua orientação, as pistas de Sintra e da Portela entram em conflito e não podem operar em simultâneo. Quando um avião descolar de Sintra vai entrar automaticamente no espaço aéreo da zona de Lisboa. Para aterrar, terá de atravessar todo o espaço aéreo de aproximação à capital. Com esta limitação operacional, e estando previstos vinte movimentos por hora, nem sequer se pode considerar Sintra como alternativa", explica.

Segundo o ex-piloto da FAP, Sintra tem também limitações ao nível dos obstáculos. "Nomeadamente, devido à proximidade da Serra do Montejunto e à existência do monte Maria Dias, situado mesmo numa das cabeceiras da pista. Os obstáculos penalizam grandemente a operação dos aviões, já que, na fase de descolagem, obriga-os a utilizar muito mais potência nos motores, para atingirem uma altitude que os faça descolar em segurança".