Bombeiros de Amadora e Sintra ameaçam demitir-se em bloco

 

As direcções das dez associações de bombeiros de Sintra e Amadora ameaçam demitir-se em bloco, caso a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo não altere a forma de pagamento do serviço de transporte de doentes.
A revelação foi feita à agência Lusa por várias fontes dos bombeiros, depois de na terça-feira à noite os secretariados das associações se terem reunido e aprovado moções que vão ser discutidas numa reunião da Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa, na sexta-feira.
Uma das moções contempla a demissão em bloco das direções das associações de bombeiros, caso a ARSLVT e o Ministério da Saúde mantenham a intenção de cortar nos preços pagos até janeiro pelo serviço de transporte de doentes não urgentes.
Outra das propostas passa por marcar uma manifestação em Lisboa, em hora de ponta, com os carros dos bombeiros.
As associações votaram ainda um voto de desconfiança à Liga dos Bombeiros.
De acordo com o porta-voz dos secretariados, Maurício Barra, que confirmou à Lusa as decisões da reunião, esse voto, que já foi aprovado em Sintra e Amadora e será submetido a votação na federação de bombeiros, deve-se à "capacidade insuficiente" demonstrada nas negociações com o Ministério da Saúde.
"A Liga não deveria ter aceitado as condições que o Governo apresentou. Os bombeiros não foram ouvidos. A Liga não teve poder para nos defender", disse. 
As corporações de bombeiros de Sintra e Amadora suspenderam por um dia, a 04 de janeiro, o serviço de transporte de doentes não urgentes contratado pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT).
As corporações alegaram que o novo Sistema de Gestão de Transportes de Doentes da ARSLVT, que instituiu novas regras no pagamento, retirou aos bombeiros a sua "mais importante receita", uma vez que provocou quebras de 70 por cento de faturação, pondo em causa dezenas de postos de trabalho nestas corporações.
Em março, o Ministério da Saúde e a Liga dos Bombeiros chegaram a acordo em relação ao transporte de doentes, depois de acertarem o aumento de três cêntimos no preço a pagar por cada quilómetro, que passa para 51 cêntimos, e o aumento do preço da taxa de saída de ambulâncias de 7,5 para 10 euros.
A Lusa contactou o presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa, António Carvalho, que não quis prestar declarações sobre o assunto.
A 16 de maio, António Carvalho afirmou à Lusa que várias associações de bombeiros já despediram funcionários porque não conseguem manter o serviço de transporte de doentes devido a uma quebra de 40 por cento de receitas face a 2011.