Câmara de Loures contra entrega de transportes públicos ao município de Lisboa

O presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares (PCP), criticou hoje a entrega da gestão de transportes públicos ao município de Lisboa, defendendo um maior envolvimento das autarquias abrangidas pelos serviços nas decisões estratégicas.
 
Numa conferência de imprensa sobre a situação dos transportes públicos no município de Loures, Bernardino Soares contestou que a autarquia lisboeta (liderada pelo PS) fique a gerir a rodoviária Carris e o Metropolitano, serviços que, no seu entender, deverão ficar "sob alçada de uma entidade supramunicipal pública".
 
"Esta proposta de municipalização, passando a Carris e o Metro para a responsabilidade exclusiva do município de Lisboa, põe em causa uma gestão que tem de ser metropolitana", apontou, ressalvando que Loures (município vizinho da capital) não defende um modelo concreto.
 
"Apenas achamos que as decisões estratégicas destas duas empresas não podem ser vistas apenas do ponto de vista de Lisboa, porque têm impacto nos municípios limítrofes, que também são servidos por estes transportes", argumentou.
 
A gestão da rodoviária Carris deverá passar para a Câmara Municipal de Lisboa a partir de 01 de janeiro de 2017, ficando de fora, para já, a concessão do Metropolitano, que a autarquia também reivindica.
 
A subconcessão das empresas públicas de transporte foi lançada pelo Governo de Passos Coelho (PSD/CDS-PP) a empresas privadas, mas, nove dias depois de ter entrado em funções, o executivo de António Costa (PS) suspendeu "com efeitos imediatos" o processo.
 
O autarca de Loures defendeu também a expansão do metro ao concelho, sublinhando que a medida significaria ganhos sociais, económicos e ambientais.
 
Nesse sentido, defendeu a expansão à zona norte do concelho, nomeadamente à freguesia de Santo António dos Cavaleiros e ao Hospital Beatriz Ângelo, e à zona oriental - freguesias de Portela e Sacavém.
 
A reconfiguração do mapa das coroas e dos passes sociais foi outros dos temas abordados pelo autarca, que defendeu a criação de um passe intermodal, com o mesmo preço para todos os utentes, com o intuito de "facilitar a mobilidade dentro do concelho".
 
"Vamos enviar estas propostas, por carta, ao primeiro-ministro e ao ministro do Ambiente. A carta é o início de um processo que não ficará aqui", assegurou.