Cantinas sociais de Algueirão-Mem Martins querem aumentar refeições a carenciados

As três instituições que servem refeições sociais a carenciados da freguesia de Algueirão-Mem Martins, Sintra, estão a negociar com a Câmara Municipal a instalação de uma cozinha industrial numa antiga fábrica para fazer face ao aumento de pedidos.
Segundo o presidente da Junta de Algueirão-Mem Martins, Manuel do Cabo, esta é a solução encontrada para responder às necessidades que existem na freguesia, onde vivem cerca de 5.000 desempregados.
"A situação é muito problemática. Há casos de fome nesta freguesia. A lista de espera que temos nas cantinas sociais não para de crescer. Todos os dias há gente a pedir alimentação e ajuda", afirmou o autarca à agência Lusa.
Segundo Manuel do Cabo, dado o aumento dos pedidos de ajuda, as três instituições que servem 400 refeições sociais diárias - Cercitop, Cresce Sempre em Flor e Diaconia - pretendem encontrar um espaço na freguesia onde seja instalada uma cozinha industrial que permita aumentar o número de refeições.
Segundo o autarca, o objetivo é instalar este equipamento na antiga fábrica de máquinas de escrever da Messa, que se encontra numa zona central da freguesia, onde as três instituições poderiam trabalhar em conjunto.
Manuel do Cabo adiantou que a freguesia vive hoje uma "situação dramática", com casos de fome, centenas de lojas a fechar e várias penhoras diárias de imóveis.
Segundo o autarca, a ação social da junta acompanha atualmente 1.200 agregados familiares que se encontram em situação de carência devido à crise.
Manuel do Cabo adiantou que diariamente chegam à Junta de Freguesia editais dos tribunais sobre penhoras de imóveis, totalizando 1.400 em 2012 (sobretudo de residências).
"Em alguns casos chegam a ser vinte penhoras diárias. Isto é dramático", referiu.
Junto à estação de Algueirão-Mem Martins, muitos dos espaços comerciais que durante anos ali se encontravam foram encerrando portas. As ruas apresentam várias lojas com cartazes de "Aluga-se" ou "Vende-se" e nos últimos dois anos muitos dos estabelecimentos de comércio tradicional deram lugar às chamadas "lojas dos chineses".
De acordo com Manuel do Cabo, que é também presidente da Associação Empresarial de Sintra (AESintra), nesta freguesia onde moram 70 mil pessoas, existem cerca de 5.000 desempregados e, só em 2012, encerraram 360 estabelecimentos comerciais.
"A situação social é dramática na maior freguesia do país. Só se veem lojas fechadas em todo o lado. Por exemplo, a rua do Zambujal está praticamente toda fechada. É incrível", disse.
O autarca adiantou que uma das maiores dificuldades que os desempregados da sua freguesia passam prende-se com o facto de, para regularizarem a situação na Segurança Social, se terem que deslocar à vila de Sintra.