Carris e Metro de Lisboa têm gestão comum mas concessões diferentes

A Carris e o Metropolitano de Lisboa vão ter dois contratos de concessão independentes, apesar de serem atualmente uma única empresa, disse hoje o secretário de Estado dos Transportes.
"Independentemente de a Carris e o metro terem uma gestão comum, vamos ter dois contratos de concessão porque os serviços e o investimento necessários serão diferentes", afirmou Sérgio Monteiro.
O governante falava em Lisboa na sessão de abertura do seminário "Os Transportes: privatização, financiamento e sustentabilidade".
Sérgio Monteiro acrescentou que "o mesmo se passará com a STCP e o Metro do Porto".
Quanto ao calendário operacional, o secretário de Estado pretende fazer uma auscultação alargada ao mercado e tomar a decisão de lançamento dos processos até final de junho.
“Temos estado a trabalhar para cumprir os prazos que temos acordados. Espero que a decisão [da concessão] possa ser tomada ainda este ano”, afirmou.
O governante referiu-se ainda ao processo de rescisões amigáveis que tem estado a decorrer nas empresas de transporte público, para dizer que o Governo decidiu “aprofundá-lo”.
No que respeita à CP, Sérgio Monteiro disse que o Conselho de Administração, que tomou posse recentemente, está a trabalhar para apresentar rapidamente ao Governo uma proposta de concessão para o “caso mais urgente”, que é a linha de Cascais.
“Se esse projeto-piloto correr bem, estenderemos a concessão a privados às restantes linhas suburbanas e ao longo curso”, indicou.
Referindo-se à reestruturação que o Governo está a fazer no setor dos transportes, o governante defendeu que não era possível “continuar a acumular dívida e a acumular défice operacional, que gerava ainda mais dívida”.
“No final de 2012 tivemos que, pela primeira vez, o somatório de todo o EBITDA (ganhos antes de juros, impostos e amortizações) dá resultados positivos, o que era considerado impossível”, frisou Sérgio Monteiro.
O secretário de Estado lembrou de seguida que, no final de 2010, o EBITDA era de 260 milhões de euros negativos.
Para o futuro, defendeu que “as externalidades positivas dos sistemas de transportes que têm sido colocadas para discussão, nomeadamente receitas que venham do IMI – que é uma receita municipal e logo tem de ser uma decisão municipal - ou outras formas de receita como o estacionamento devem ser canalizadas para investimento futuro e não para coberturas do défice operacional”.