Cova da Moura: Reabilitação adiada por falta de verbas

IHRU abandona projectos para bairros críticos.

Em meados de Abril, o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) comunicou às associações locais e às câmaras municipais que iria abandonar o projecto “Bairros Críticos”. A medida apanhou toda a gente de surpresa.
Trata-se de uma iniciativa do Governo, anunciada em 2006, que previa a reabilitação urbana de três áreas consideradas degradadas, uma no Porto e duas na Grande Lisboa. Na Amadora, o projecto envolvia a Cova da Moura, sendo desde logo bastante acarinhado pela população.
Quando foi apresentado, o projecto "Bairros Críticos", embora liderado pelo IHRU, envolvia vários ministérios, autarquias e associações locais e a sua execução estava prevista terminar no final de 2011.
Após o anúncio do projecto, as instituições locais da Cova da Moura (Associação de Moradores, Associação Cultural Moinho da Juventude e a Associação de Solidariedade Social do Alto da Cova da Moura) respiravam de alívio com a iniciativa apresentada pelo Governo, tendo em conta que estava arredada a intenção manifestada pela Câmara da Amadora (CMA) quanto à demolição de grande parte do bairro. De resto, esta era a única solução apontada para os problemas relacionados com falta de condições de habitabilidade ali verificada.
Pela primeira vez, estava a ser pedido o envolvimento dos moradores para dar início ao projecto.
A filosofia desta intervenção era a de recuperar o mais possível as habitações existentes, evitando as demolições. Previa-se o realojamento das famílias que habitavam em piores condições dentro do perímetro do bairro.
Porém, volvidos seis anos após a apresentação do projecto não foi feito qualquer realojamento.
O presidente do IHRU, Vítor Reis, em declarações à Agência Lusa, adiantou que a iniciativa chegou ao fim, admitindo falta de recursos financeiros. No entanto, frisou que foi executado “tudo o que estava previsto fazer” nos três bairros.