Documentário 'Orquestra Geração' revela o outro lado da Amadora

O documentário "Orquestra Geração", de Filipa Reis e João Miller Guerra, que acompanha quatro jovens que ingressaram num projecto pedagógico através música, estreia-se na quinta-feira, numa sala em Lisboa.

Filipa Reis e João Miller Guerra, dois realizadores do premiado "Li Kê Terra", rodaram um filme sobre o projecto Orquestra Geração, aplicado em Portugal e inspirado numa iniciativa venezuelana de inclusão social através da música.

No filme, os dois realizadores cruzam depoimentos de quatro jovens da escola Miguel Torga e do bairro Casal da Boba, na Amadora, que ingressaram na orquestra formada a partir daquele projecto, e que revelam quão improvável era o sonho de serem músicos.

O documentário tem estreia comercial, numa sala em Lisboa, depois de ter sido exibido em vários festivais, nomeadamente no Doclisboa, Avanca, Cinéma du Réel (Paris) e Parnu (Estónia).

A par da estreia, a produtora Vende-se Filmes organizou uma série de concertos e debates em torno da temática do filme.

Na quinta-feira e no dia 14, actuará a Orquestra GeraJazz, no cinema City Alvalade, em Lisboa, onde o filme se estreará.

Ao longo do mês de Outubro, haverá ainda debates sobre música, adolescência e ensino.

O projecto da Orquestra Geração é inspirado no sistema nacional das Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela, criado nos anos 1970 para crianças e jovens de bairros desfavorecidos.

Esse projecto social venezuelano é composto actualmente por mais de 250 orquestras de jovens de vários níveis etários, oriundos de meios sociais desfavorecidos.

Em Portugal a Orquestra Geração surgiu em 2007 por iniciativa conjunta da Escola de Música do Conservatório Nacional, da Câmara Municipal da Amadora e da Fundação Calouste Gulbenkian, com o apoio do Fundo Social Europeu.

Foram criadas pelo menos três orquestras nestes moldes na Amadora e Vialonga. Em Mirandela e em Coimbra, estavam a ser dados os primeiros passos para a adesão a este projecto.