Festival Jardins Abertos mostra a 'Lisboa verde que anda escondida'

O "ano zero" do festival Jardins Abertos decorre a 20 de maio, no centro histórico de Lisboa e pretende convidar as pessoas a "aproximarem-se da natureza" e a conhecerem o que é a "Lisboa verde que anda escondida".
 
Esta iniciativa consiste numa visita guiada por jardins privados e semiprivados no centro histórico da cidade e os participantes terão a oportunidade de conhecer zonas fora da rota turística comum.
 
"O que nós queremos fazer é entrar dentro daqueles muros em que nós não sabíamos que havia jardins e de repente existem espaços muito bonitos, não só do ponto de vista paisagístico mas também pela sua narrativa, pelas pessoas que lá vivem ou a maneira como é cultivado", disse à Lusa um membro da organização do festival Jardins Abertos, Tomás Tojo.
 
Segundo o responsável, o objetivo é criar uma "consciência ambiental um bocadinho maior", de forma a enriquecer a "relação homem-natureza" na cidade.
 
O roteiro inclui jardins com "diferentes identidades", desde espaços históricos até jardins modernos como é o caso dos verticais, cultivados em paredes.
 
O passeio começa às 10:00 na Casa Nossa Senhora da Vitória, na Graça, a antiga casa de um "membro da maçonaria" que hoje é um lar com 71 idosas que cuidam de um quintal na habitação.
 
"[O quintal] é muito bonito e costumamos dizer que é o 'quintal da avó'", referiu.
 
A caminhada continua para uma horta comunitária de agricultura biológica que, na perspetiva do responsável, representa um "lado mais pedagógico", que convida os participantes a perceber como é que "a comida se produz".
 
A iniciativa inclui também a passagem pelo Beco do Alegrete, na Mouraria, que venceu o concurso Rua Mais Florida em 1998 e pelo Pátio dos Prazeres, na rua dos Prazeres, que ganhou o prémio de pátio Mais Florido em 1999.
 
Os participantes poderão ainda visitar o jardim do Palácio da Independência, que tem estado fechado ao público devido ao roubo de murais em azulejo "muito valiosos", acrescentou.
 
A visita aos jardins será guiada pelos donos dos espaços que contarão as histórias das zonas verdes e a forma como as cuidam diariamente.
 
A programação termina com uma festa de encerramento, às 16:30, com o DJ Bernardo na Praça das Flores.
 
A iniciativa é gratuita e tem a duração de seis horas, funcionando com dois grupos de 20 participantes.
 
A organização, constituída por um grupo de voluntários das áreas da cultura, botânica e sustentabilidade, recebeu cerca de 1.400 inscrições para o passeio.
 
"Esta iniciativa foi abraçada de uma maneira que nós não estávamos à espera", afirmou.
 
Quando questionado relativamente à mentalidade ambiental nos dias de hoje, Tomás Tojo disse ser "um otimista" que acredita que "as coisas vão mudar".
 
"Eu acho é que estamos a demorar um bocadinho de tempo demais a mudar, mas já li que o tempo que demorámos a afastar-nos da natureza é o tempo que vamos demorar a voltar a aproximar-nos", sublinhou.