Jerónimo mete Governo e PS no mesmo saco e pede reforço da CDU nas Autárquicas

“É preciso dizer basta à política da mentira e do cinismo”. Num discurso de quase uma hora, Jerónimo de Sousa encerrou, ontem, a intervenção política da Festa do Avante acentuando criticas à actuação do governo PSD/CDS. E também não poupou o PS por ter participado na concertação do “pacto de agressão” feito à “revelia do povo e contra os seus interesses”.

Num discurso duro, o secretário-geral do PCP, contestou as políticas de direita de Passos Coelho e acusou o governo socialista de José Sócrates que “desenhou e caucionou a ofensiva em curso”. Por isso, acrescentava: “nas próximas eleições [Autárquicas] é, não só condição primeira derrotar este Governo, como assegurar também o reforço de quem pode garantir uma verdadeira política alternativa e romper com o ciclo de alternância sem política alternativa”.

Para Jerónimo de Sousa o país não está a atravessar uma crise de falta de dinheiro; “há dinheiro. Está é a ser entregue aos mesmos de sempre e a ser negado aos portugueses e ao desenvolvimento do país”.

Lembrando o aumento do número de desempregados, baixa de salários, redução de investimento na saúde e educação, fez saltar assobios dos milhares de comunistas e simpatizantes que enchiam o recinto do palco principal contra o Governo, ao afirmar que o PSD/CDS “escondem” as medidas do Orçamento de Estado 2014 e “retardam” a avaliação da troika até às eleições Autárquicas. E afiança que o orçamento que está na calha “prepara cortes de milhares de milhões euros” em sectores fundamentais para o serviço público.

Para o líder comunista é “preciso travar o passo desta política de saque ao povo e ao país”, por isso estas eleições Autárquicas “constituem uma batalha política da maior importância” em que “mais CDU em 29 de Setembro significará acrescentar força à luta e à razão de todos os que não aceitam o rumo de desastre nacional e que aspiram a uma outra política, patriótica e de esquerda.

Uma luta que o PCP promete continuar para além das Autárquicas. Pelo que se percebeu no discurso de Jerónimo de Sousa, vão voltar a colocar em cima da mesa as razões de contestação à integração de Portugal na União Europeia. Aquilo que diziam ter levado a “um país dominado pelo capital monopolista, dependente e subordinado às grandes potências”.

“É preciso mudar de rumo”, afirmava jerónimo de Sousa que aponta já para as eleições de 25 de maio do próximo ano, quando os portugueses forem chamados a eleger os deputados ao Parlamento Europeu. “Mais União Europeia significará menos Europa (…) porque a Europa são os Estados soberanos com direito ao desenvolvimento”.