Moita Flores fala em deslealdade do CDS e compara Portas a Paulo Futre

O candidato social-democrata à Câmara de Oeiras, Moita Flores, acusou hoje o CDS de ter uma atuação pouco leal na coligação governamental e comparou o ministro Paulo Portas ao antigo jogador de futebol Paulo Futre.
 Falando numa conferência promovida pela JSD/Lisboa, Moita Flores ressalvou que as suas críticas ao CDS eram feitas a título exclusivamente pessoal, numa análise que disse partir da sua perceção enquanto cidadão.
 Num longo discurso, feito de improviso, o presidente da Câmara de Santarém começou por caracterizar os falsos candidatos independentes em eleições autárquicas a "fruta podre", pessoas "narcisistas" que "amuam e mandam a moral às urtigas".
 Depois, sustentou a tese de que a penalização média dos governos nacionais em eleições autárquicas não ultrapassa (segundo os desvios padrão) os 2,5% e referiu-se à atuação do PS e do partido de Paulo Portas na coligação governamental.
 "O PS andava dividido e fez aí um golpe de Estado no [Largo do] Rato há um mês e tal, dois meses, parecendo até que o país ia abaixo. Depois, entraram para uma sala, fecharam a porta e [surgiram] muito suaves e doces. Não sei o que se passou", disse, numa alusão às divergências registadas no início deste ano entre o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, e o secretário-geral do PS, António José Seguro.
 No entanto, logo a seguir Moita Flores deixou advertências: "O que é certo é que eles [socialistas] agora estão todos unidos" e é certo que o CDS não tem tido uma postura muito leal - e digo isto como independente e não vincula o partido [o PSD], vincula-me só a mim", vincou o antigo inspetor da Polícia Judiciária, antes de comentar a atuação política de Paulo Portas.
 "Acho que o [Paulo] Portas continua a ser um mestre, é o Futre da política. Sabe fazer a finta para estar sempre do lado de fora quando lhe convém. Tenho essa perceção como cidadão", disse.
 Ainda sobre política nacional, Moita Flores insurgiu-se contra "uma casta" no interior do PSD que faz discursos "dolosos" contra o Governo e disse que o principal erro do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, foi ter prometido que não criticaria o passado.
 "Não estou disponível para esquecer o passado em Santarém. Cheguei à presidência da Câmara de Santarém e encontrei uma autarquia falida por culpa dos socialistas. Agora, chegam uns paspalhos e dizem que a dívida da Câmara de Santarém é minha. É minha o caraças", exclamou, provocando gargalhadas e aplausos na plateia.