Movimento de pais prepara protesto contra fecho de escola de A-da-Beja

Um grupo de pais e encarregados de educação vai organizar no início de junho um protesto junto à Escola EB1/JI da A-da-Beja, na Amadora, contra a intenção de transferência de crianças do primeiro ano para outros estabelecimentos de ensino.

"A câmara quer o encerramento da escola, porque neste momento já não é possível fazer matrículas para o primeiro ano", afirmou Aida Pereira, 30 anos, residente numa das novas urbanizações da A-da-Beja.

A moradora argumentou que a escola básica do Casal da Mira, para onde querem transferir as crianças, se encontra "desenquadrada da área de residência de A-da-Beja", faltando transportes públicos que sirvam as duas localidades.

"Neste momento moram na A-da-Beja muitos casais jovens, por isso não digam que não temos crianças para frequentar a escola", frisou Aida Pereira, referindo-se às novas urbanizações do Moinho do Guizo e Arneiro do Cuco.

O grupo de pais deslocou-se na terça-feira à assembleia de freguesia da Mina de Água e, além do protesto em preparação junto à escola, promete levar o caso a uma próxima reunião pública da Câmara da Amadora.

A população da aldeia pintou nas paredes da localidade o que pensa sobre o previsto fecho da escola do primeiro ciclo: "Queremos escola", "Contra o fecho da escola não vote", "A-da-Beja de luto não vote".

O protesto não se traduziu em boicote às eleições para o Parlamento Europeu, porque existe um centro de apoio a idosos contíguo à escola.

"Houve mais abstenção do que é habitual", confirmou o presidente da Junta de Freguesia da Mina de Água, Joaquim Rocha. Em "800 e tal eleitores, votaram apenas cerca de 200", acrescentou.

Aos apelos à abstenção juntaram-se as acusações da CDU, num panfleto de campanha eleitoral, de que "o Governo do PSD/CDS se aliou à câmara municipal do PS para encerrar a escola de A-da-Beja".

A coligação aproveitou para apelar ao voto nos seus candidatos como forma de protesto "contra o encerramento de escolas, centros de saúde, estações de correios, e outros serviços públicos por todo o país".

Joaquim Rocha esclareceu que a junta não foi consultada sobre o assunto, mas que a câmara alega que a decisão de encerrar progressivamente a escola da A-da-Beja será do Ministério da Educação, porque "haverá salas disponíveis no Casal da Mira".

Em resposta enviada por e-mail a Aida Pereira, a Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares justificou que, "por proposta da Câmara Municipal da Amadora, no âmbito da reorganização e reordenamento da rede escolar, não serão efetuadas matrículas no 1.º ano de escolaridade, no ano letivo de 2014/2015, na Escola Básica A-da-Beja".

Contactada pela agência Lusa, a presidente da Câmara da Amadora, Carla Tavares (PS), disse não querer comentar os motivos que poderão levar ao fecho da escola.