MP acusa grupo por assaltos e homicídio de homem junto a hipermercado em Sintra

O Ministério Público de Sintra acusou 10 arguidos por crimes de homicídio qualificado, roubo qualificado, posse de arma proibida e branqueamento de capitais por assaltos a carrinhas de valores e estabelecimentos comerciais, um dos quais resultou numa morte em Sintra.
 
Seis dos arguidos, acusados também de furto agravado, encontram-se em prisão preventiva, três dos quais à ordem destes autos, desde janeiro e março de 2017, respetivamente, adianta a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa em informação hoje divulgada.
 
O Ministério Público (MP) refere que ficou indiciado que os principais seis arguidos, com a comparticipação pontual dos restantes quatro, se dedicavam à subtração de valores transportados em carrinhas ou existentes em estabelecimentos comerciais por meios violentos, com a utilização de armas de fogo.
 
"Foi desse modo que, em 28 de fevereiro de 2016, os principais seis arguidos subtraíram de uma carrinha de transporte de valores estacionada no parque junto ao hipermercado do Continente sito em Lourel vários sacos contendo dinheiro, no valor total de 8.123,67 euros", precisa a PGDL.
 
Os arguidos - segundo a investigação - utilizaram para o efeito armas de fogo, designadamente uma caçadeira “shotgun”, planearam o assalto vigiando os movimentos da carrinha e respetivos funcionários e bloquearam a mesma carrinha a fim de impedir que se pusesse em marcha no momento do assalto.
 
"Os arguidos dispararam vários tiros nessa ocasião. Encetaram de imediato uma fuga prolongada, durante a qual tentaram subtrair violentamente várias viaturas. Durante esse percurso, ao tentarem subtrair uma terceira viatura, dispararam contra o seu condutor, que seguia com a mulher e uma filha, causando-lhe ferimentos graves que lhe provocaram necessariamente a morte", relata ainda o MP.
 
A acusação alega que os arguidos principais se dedicavam à prática reiterada de assaltos a carrinhas de valores, tendo efetuado vendas de viaturas, troca de dinheiro no casino, como forma de dissimular a origem criminosa dos respetivos proventos.
 
O MP requereu a perda de bens ampliada dos proventos presumivelmente originados com esta atividade criminosa, tendo em conta a indiciação do crime de branqueamento de capitais.
 
A investigação patrimonial e financeira foi efetuada pelo Gabinete de Recuperação de Ativos da Polícia Judiciária.
 
A investigação foi dirigida pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Sintra e coadjuvada pela Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária.