Novo Centro de Artes da EDP vai aumentar fruição do rio Tejo

Responsáveis pelo projeto do novo Centro de Artes da Fundação EDP, entre arquitetos e administradores daquela entidade privada, defenderam hoje numa discussão pública sobre o espaço que vai aumentar a fruição do público na frente ribeirinha de Lisboa.
A Fundação EDP pretende construir um novo centro de artes, em forma de concha, que prevê uma ocupação de 150 metros de frente ribeirinha de Belém, junto à Central Tejo, 12 metros de altura e cerca de seis metros de margem entre o Tejo e o edifício, que tem motivado críticas, por violar o Plano Diretor Municipal (PDM).
A autarquia decidiu atribuir um caráter de "excecional interesse municipal" à obra, uma medida prevista pelo PDM, que desobriga obras de "excecional relevo para a cidade" de cumprirem os limites previstos no regulamento e impõe uma discussão pública.
No primeiro debate, que teve lugar hoje no Museu da Eletricidade, a arquiteta responsável pelo projeto, Amanda Levete, disse que, com a construção do Centro de Artes, "o espaço de fruição pública de Belém aumenta", já que será possível visitar o espaço "por dentro e por cima".
Por outro lado, na margem entre o edifício e o rio, que numa fase do projeto previa uma largura de apenas cerca de três metros (que foi alterada para cerca de seis, o que existe atualmente naquela zona), vai ser criada uma pista de corrida, pontos para pesca e lugares para as pessoas se sentarem, descreveu um arquiteto da equipa da britânica Amanda Levete.
O projeto prevê a criação de uma escadaria de entrada para o rio, à semelhança do que acontece no Cais das Colunas, na Praça do Comércio, e do que está também previsto para a Avenida Ribeira das Naus.
O administrador da EDP Sérgio Figueiredo considerou que a obra "vai expandir a forma como as pessoas vão interagir com o rio", o que significa "9.000 metros de espaço de fruição pública".
Com o Centro de Artes está prevista a construção de uma ponte pedonal por cima da linha ferroviária que termina numa praça e que foi "uma imposição" da Câmara de Lisboa.
"A ponte, a norte, foi uma imposição da Câmara, porque queremos que os carros sejam estacionados a norte. Não queremos carros na frente rio", disse o vice-presidente da autarquia, Manuel Salgado, que também participou no debate.
A proximidade do rio, a profundidade a que o edifício está assente, a altura do centro, a relação com a zona envolvente foram sugestões de discussão dadas pelo autarca, numa discussão onde apenas participou uma residente em Belém, além dos convidados da Fundação EDP.
O próximo debate está marcado para dia 18, no auditório do Centro Social da Junta de Freguesia de Santa Maria de Belém.