Obras 'inadiáveis' nos palácios da Ajuda e de Mafra vão custar 4,2 milhões

Os Palácios Nacionais da Ajuda e de Mafra estão na lista de obras "inadiáveis", no valor global de 4,2 milhões de euros, que a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) pretende avançar este ano.
Numa entrevista à agência Lusa, a propósito do Dia Internacional dos Museus, que se assinala no sábado, Isabel Cordeiro, diretora-geral do Património Cultural, indicou que os dois palácios nacionais são as duas obras de maior dimensão, previstas no setor.
"São grandes intervenções de conservação e requalificação que envolvem, por exemplo, no Palácio Nacional da Ajuda, obras nas fachadas, caixilharias e no Torreão Sul, e nos carrilhões do Palácio Nacional de Mafra", precisou a responsável.
No final de 2012, a DGPC "fez um levantamento rigoroso e, com base nesse diagnóstico, foram definidas as prioridades". "As necessidades são muitas e vamos supri-las metodicamente", assegurou Isabel Cordeiro.
A diretora-geral do Património indicou que, para obter apoios para estas grandes intervenções, foram feitas candidaturas ao Fundo de Reabilitação do Património e ao Fundo de Salvaguarda do Património, dos quais “se esperam notícias em breve".
A intervenção no Palácio Nacional da Ajuda está estimada em 2,4 milhões de euros e no Palácio Nacional de Mafra, em 1,8 milhões, precisou.
Relativamente a intervenções de menor envergadura, "mas também inadiáveis", a DGPC vai aplicar 900 mil euros em 2013 e 2014, "para resolver situações que se arrastam há muitos anos".
Ainda para este ano, estão previstas obras no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, no Museu do Traje, no Museu Nacional do Azulejo, no Museu Nacional de Arqueologia, no Museu Nacional de Arte Antiga, todos em Lisboa, e no Museu no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto.
"Não são obras de grande visibilidade porque não são grandes intervenções, mas são inadiáveis e absolutamente necessárias porque, se não forem realizadas, prejudicam o trabalho quotidiano das equipas", sublinhou Isabel Cordeiro.
Impermeabilização de coberturas, intervenções nos equipamentos de ar condicionado e de segurança são algumas das obras previstas.
Relativamente ao novo Museu dos Coches, em Belém, está previsto o arranque da obra para a criação de sinalética no interior, instalação de equipamentos e da passagem pedonal.
Quanto ao modelo de funcionamento do museu, cuja abertura, segundo as últimas declarações do secretário de Estado da Cultura, está prevista para 2014, a diretora-geral indicou que "está a ser feita uma reflexão conjunta com outros museus sobre o modelo de gestão".
"É preciso pensar bem se queremos apostar numa autonomia funcional ou global", comentou a responsável, acrescentando que as opções dividem-se entre a gestão pela tutela, por uma empresa pública ou por uma fundação.
Questionada sobre a situação do Museu da Música, instalado na estação do Metropolitano do Alto dos Moinhos, e que em anos anteriores foi alvo de um projeto que previa a transferência para Évora, Isabel Cordeiro indicou que vai continuar em Lisboa.
"O Museu da Música tem uma coleção notável e está instalado de forma adequada neste momento. Não se pode relocalizar um museu como se troca de casa. É preciso uma visão, um projeto criado com rigor", sustentou.