Palácio de Queluz mostra ao mundo quarto onde nasceu e morreu D. Pedro IV

O Palácio Nacional de Queluz assinala os 180 anos sobre a morte de D. Pedro IV com a inauguração do novo projeto museológico do quarto onde nasceu e morreu o primeiro imperador do Brasil.
 
“É um quarto que tem uma carga histórica muito grande”, disse à agência Lusa a diretora do palácio de Queluz, Inês Ferro, sublinhando que, à semelhança das 18 pinturas alusivas às aventuras da literatura de Cervantes, também D. Pedro IV teve “uma vida quixotesca”.
 
O projeto procura ir ao encontro do interesse que a figura do monarca português, que se tornou no primeiro imperador do Brasil, desperta, principalmente nos visitantes brasileiros, “que já representam 10% das visitas do palácio”, disse Inês Ferro.
 
O quarto D. Quixote foi objeto de um “aturado levantamento histórico e iconográfico” e de trabalhos de restauro da pintura decorativa que remonta à reconstrução do palácio após um incêndio em 1934, com a renovação de todo o equipamento museográfico.
 
Documentos, artigos de imprensa e literatura da época permitiram contextualizar o aposento onde D. Pedro d’Alcântara de Bragança nasceu, em 1798, e veio a morrer, 35 anos depois, ficando diretamente ligado à independência do Brasil e à consolidação do liberalismo em Portugal.
 
O novo projeto museológico assenta em meios digitais, como painéis informativos e um “tablet”, onde os visitantes podem aceder a informação sobre os objetos expostos e a uma imagem de 360º da sala.
 
No quarto e nos dois espaços adjacentes reuniram-se 48 peças, entre as quais 15 pinturas e miniaturas, nove peças de mobiliário e 15 objetos pessoais, incluindo o chapéu usado no desembarque no Mindelo ou o estojo de viagem e o óculo utilizados no cerco do Porto.
 
A escrivaninha de viagem de D. Pedro, pertencente ao acervo do Palácio Nacional da Ajuda, foi restaurada e permanecerá exposta alguns meses até ser devolvida à origem.
 
O mesmo acontecerá com objetos expostos que resultam de empréstimo temporário de outras instituições portuguesas, como o Museu Nacional de Arte Antiga, Museu Nacional dos Coches, Museu Militar de Lisboa e Museu Nacional Soares dos Reis.
 
A par da inauguração, hoje à tarde, ficará acessível num quiosque no local e online (www.dpedroiv.parquesdesintra.pt) um “micro site” com a biografia cronológica de D. Pedro IV, ilustrada com imagens e documentos da época, nomeadamente a sua árvore genealógica e artigos com relatos de episódios de relevo do seu tempo.
 
“Pela primeira vez numa intervenção museológica portuguesa vamos ter uma exposição virtual no Google Art Project”, destacou Inês Ferro.
 
A iniciativa, além da divulgação do projeto, “é mais um prolongamento da visita ao próprio palácio, que tem muito mais para oferecer do que o quarto” agora renovado, apontou a diretora.
 
A iconografia mais emblemática do projeto poderá ser consultada e visualizada, em alta definição, na exposição virtual, com destaque para a aguarela de Ferdinand le Feubure, que reproduz o quarto D. Quixote em 1850.
 
O projeto incluiu a renovação do sistema de segurança e a instalação de lâmpadas de tecnologia LED, prosseguindo com a política de redução de consumo energético no palácio, informou a sociedade Parques de Sintra-Monte da Lua, responsável pela gestão do monumento.
 
O Palácio Nacional de Queluz regista anualmente cerca de 140 mil visitantes e os seus jardins históricos ilustram a evolução do gosto da Corte nos séculos XVIII e XIX, período marcado pelo barroco, rococó e neoclassicismo.