Parque Mayer como 'aldeia cultural' em Lisboa é projeto da Junta de Santo António

A Junta de Freguesia de Santo António, em Lisboa, quer fazer do Parque Mayer uma “aldeia cultural”, com salas de espetáculos, museus e instituições de ensino artístico, segundo um projeto daquela autarquia agora apresentado.
 
O presidente da Junta, Vasco Morgado (PSD), apresentou na Comissão Municipal de Cultura, Educação, Juventude e Desporto um projeto de revitalização do Parque Mayer, que pretende tornar aquele espaço uma “aldeia cultural em Lisboa, no centro da cidade”.
 
O projeto passa por, segundo explicou, acolher o Museu do Brinquedo, que encerrou portas em agosto em Sintra, e o do Teatro, situado no Lumiar e que, para Vasco Morgado, é “importante que tenha uma presença no Parque Mayer”.
 
Além disso, defendeu a “deslocação” para aquele local das escolas de Música e de Dança do Conservatório Nacional, situadas no Bairro Alto, e da Escola Superior de Teatro e Cinema, na Amadora.
 
O projeto prevê, também, “manter os bastiões que resistem”, os teatros Capitólio, atualmente em obras, e Variedades, que está fechado, e o Maria Vitória, o único que ainda tem portas abertas, “para haver salas de espetáculo”.
 
Haverá também “auditórios para ensaios, 200 lugares de estacionamento no piso térreo, lojas e restaurantes, para uma tentativa de rentabilização”, contou Vasco Morgado.
 
“Comporta tudo e ainda temos espaço para praças para acolher os artistas”, disse.
 
A previsão é que passem pela “aldeia cultural” duas a três mil pessoas por dia, o que “revitalizaria a zona em termos de comércio e habitação”.
 
Vasco Morgado garantiu que o projeto não choca com o Plano Diretor Municipal (PDM) e que os espaços exteriores estarão à cota do Jardim Botânico, “não tirando visibilidade e sustentabilidade” àquele local.
 
O presidente da Junta de Santo António acredita que o projeto hoje apresentado “resolve vários problemas da cidade: o próprio Parque Mayer, o mau estado do edifício do Conservatório de Música, os teatros voltam a ter gente, o Museu do Brinquedo passa a ter um espaço”.
 
Os deputados da comissão municipal reconheceram a necessidade de se reabilitar o Parque Mayer, e, por isso, saudaram o projeto, mas apresentaram algumas dúvidas.
 
Quiseram saber, por exemplo, qual será o investimento necessário e quem irá suportá-lo.
 
Vasco Morgado prevê que sejam necessários “70 a 75 milhões de euros de investimento inicial”, que será suportado por “verbas do Casino, que são para o Parque Mayer, quadros comunitários de apoio, ‘sponsorização’ [patrocínios] e venda de edificado, que se traduz em construção no Parque Mayer”.
 
O autarca referiu que a Câmara de Lisboa “paga 12.500 euros por dia em juros pelo Parque Mayer”, referentes “à divida do empréstimo da Bragaparques que o município assumiu”.
 
“Este caminho no Parque Mayer, com futuro, paga-se a ele próprio”, defendeu.
 
Os deputados da comissão municipal de Cultura demonstraram alguma renitência face à proposta de retirada de equipamentos de outras freguesias, ou mesmo de concelhos, no caso da Escola Superior de Teatro e Cinema, para colocá-los no Parque Mayer.
 
A presidente da comissão, Simonetta Luz Afonso (PS), valorizou o “início de uma ideia em marcha”, referindo que “é preciso pensar grande para depois fazer”.
 
“Por isso, não levo a mal que seja um pouco megalómano”, disse.
 
Vasco Morgado sublinhou que o projeto “não está fechado” e o que foi hoje apresentado é apenas uma ideia, aberta a discussão, referindo que “todas as entidades contactadas demonstraram interesse em participar”.