PS defende agência empresarial em Almada

A aposta na formação profissional e validação de competências é um dos caminhos para o país dar a volta à actual situação económica, mas o Governo “não deu continuidade” a um processo que vinha a “conseguir resultados”. Este é o entendimento da socióloga Maria José Esteves apresentado no encontro promovido pela secção do PS de Almada para debater as Dinâmicas Empresariais Locais – Emprego e Formação. “É nestes momentos que é preciso investir nas pessoas”.

Integrado no ciclo de debates “Palavra à Sociedade Civil”, este encontro concluiu a necessidade de criar “uma visão estratégica para a promoção da competitividade do concelho de Almada, no sentido de melhorar a sua atractividade para a iniciativa empresarial”. Para Vítor Castanheira, coordenador da Secção de Almada do PS, é “urgente a implementação de uma estrutura de apoio e informação aos potenciais empreendedores, que concentre informação e promova uma efectiva articulação entre as entidades intervenientes no domínio da promoção e estimulo às dinâmicas empresariais locais”.

Para além desta estrutura, defende a criação da “marca Almada”. Uma ideia que foi ao encontro de alguns intervenientes neste debate. Caso de Aníbal Moreira que apontou existirem no concelho “pessoas com iniciativa mas os obstáculos são muitos”. E para contornar esta situação “é preciso criar ferramentas locais” tais como “uma bolsa sobre as oportunidades empresariais”.

O apoio às micro, pequenas e médias empresas é um modelo defendido pelo presidente da Comissão Politica Concelhia de Almada. Para António Mendes as dinâmicas locais “são importantes para dar a volta à crise e, neste sentido, “o Governo vai no caminho errado”. Isto aplica-se ao caso de Almada que depois de perder uma economia local apoiada na indústria, virou-se para o sector dos serviços. “Precisamos de um Governo que esteja mais à altura dos desafios do momento, e não está”.

E também não poupou a Câmara de Almada. Não só referiu que a presidente da autarquia, contrariamente a outros autarcas, “não se tem debatido para captar grandes investimentos para Almada”, como também condena a política de criar novas centralidades defendida pelo executivo CDU. Para o líder dos socialistas de Almada o concelho “não precisa de incubadoras de empresas”, mas sim de “uma agência de captação de investimento”. Aliás, refere que a economia local é hoje apoiada nas micro, pequenas e médias empresas e “é ai que nos devemos focar”.

Por outro lado defende que a autarquia tem de ter mais atenção ao comércio local. Na sua opinião a edil de Almada “é responsável pela destruição pelo comércio local de Almada” porque “tomou uma decisão errada”, e devia ter tido “consciência” disso e “voltar atrás” nessa decisão. “Algumas lojas emblemáticas de Almada já não existem”, lembrou. Ao mesmo tempo receia que o mesmo aconteça na Rua Cândido dos Reis (Cacilhas) onde o processo de obras de requalificação que deveria estar concluído no final do ano, vai ter um atraso de 7 meses para além do previsto. “Os comerciantes não suportar isto”, concluiu.

Humberto Lameiras