Residentes do Parque das Nações, em Lisboa, preocupados com espaço público

Os moradores da freguesia lisboeta do Parque das Nações, cuja média de idades ronda os 46 anos e o rendimento médio mensal ultrapassa os 850 euros, preocupam-se com a manutenção do espaço público, revela um estudo coordenado pela Junta.
 
O “Diagnóstico Social da Freguesia do Parque das Nações”, a que agência Lusa teve acesso, indica que 70,5% dos 2.229 inquiridos se preocupa com a “manutenção do espaço público”, com a “falta de serviços comunitários de apoio” (41,1%), com a segurança (37%), com a “falta de sentido de pertença das pessoas da comunidade” (36,1%) e, ainda, com “problemas com a gestão de lixo e limpeza urbana” (20,4%).
 
As áreas sobre as quais os moradores afirmaram estar menos preocupados foram “a falta de estabelecimentos de ensino” (3%), a violência doméstica (3,4%) e a falta de um centro de saúde na freguesia (2,9%).
 
Acresce que 52,9% dos residentes usa o sistema de saúde particular.
 
A freguesia do Parque das Nações é gerida, desde as eleições autárquicas de 2013, pelo grupo de cidadãos Parque das Nações Por Nós (PNPN), liderado por José Moreno, que se coligou com o PS.
 
Esta é a freguesia mais recente do país, que agrega áreas que pertenciam à freguesia dos Olivais (Lisboa) e ao concelho de Loures, criada no âmbito da reforma administrativa.
 
Em declarações à agência Lusa, José Moreno admitiu que a autarquia tinha “noção” das preocupações com a gestão urbana. “Aqui temos a comprovação”, disse.
 
O autarca salientou que a situação está a ser resolvida, com obras nos passadiços do Rossio dos Olivais e da faixa central dos vulcões, na Alameda dos Oceanos.
 
Além destas, vão iniciar-se, “em breve”, a recuperação dos Jardins Garcia d’Orta e a construção de uma escadaria entre a Quinta das Laranjeiras e a Gare do Oriente.
 
Segundo este diagnóstico, a idade média dos fregueses (acima dos 18 anos) é de 46,28 anos, sendo que 16,5% tem mais de 65 anos.
 
Quanto ao rendimento mensal, a maioria dos moradores indica valores acima de 851 euros.
 
Tendo em conta as três zonas da freguesia consideradas no estudo – poente (Casal dos Machados, Bairro do Oriente, Quinta das Laranjeiras, Estrada de Moscavide e Bairro da Centieira), sul (Marina da Expo até ao Oceanário) e norte (Foz do Rio Trancão até Torres de S. Rafael e S. Gabriel, Torre Vasco da Gama e Alameda dos Oceanos) – é na primeira que os rendimentos são mais baixos.
 
Mais de 50% dos inquiridos trabalha a tempo inteiro, 22,8% são reformados e 6,6% estão desempregados. Só na zona poente, o número de desempregados sobe para 13,1%.
 
Quanto às habilitações académicas, 38% da população tem uma licenciatura e 17,2% terminou o ensino secundário. A percentagem de habitantes sem escolaridade é de 2,5%.
 
O estudo foi realizado pelo Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e será apresentado hoje às 17:30 no Pavilhão do Conhecimento.
 
Os dados foram recolhidos entre maio e junho deste ano, resultando numa amostra de 12% do total de eleitores (18.700).
 
De acordo com José Moreno, o estudo tinha o intuito de saber mais sobre uma “freguesia que não tem dados sobre si própria”.
 
A Junta tenciona agora “delinear melhor” a sua estratégia tendo em conta os problemas apresentados, indo “ao encontro daquilo que as pessoas esperam”, adiantou.