Ligação de Belas ao mar começa a ganhar forma

A nova ligação entre Belas e a foz do Rio Jamor começa a ganhar forma. Basílio Horta percorreu esta segunda-feira parte do trajeto que integra o Eixo Verde e Azul, projeto que cria uma nova via pedonal e em bicicleta entre a Serra da Carregueira, em Belas, e a foz do Rio Jamor.

Este trajeto, que se inicia no futuro parque municipal da Serra da Carregueira, está em desenvolvimento ao longo do Rio Jamor até à foz, no concelho de Oeiras.

O Parque Urbano Felício Loureiro em Queluz, estando situado nas margens do rio, será parcialmente integrado neste percurso de mobilidade suave.
Esta primeira empreitada do projeto em execução implicou um investimento superior a 1 milhão e 700 mil euros, estando a sua inauguração prevista para abril do próximo ano.

O Eixo Verde e Azul implica um investimento de cerca de 11,3 milhões de euros no município de Sintra e beneficiará directamente um total 60 mil cidadãos.

“Este é um projeto estruturante para Sintra, que promove a conetividade ecológica em meio urbano, salvaguarda os riscos de cheias e protege o património histórico-cultural e é também um importante instrumento para romper com o passado, devolvendo assim o espaço público às pessoas e valorizando as nossas cidades e vilas”, destacou Basílio Horta, presidente da Câmara de Sintra.

 

Fonte: Camara Municipal de Sintra

O projecto de requalificação do Sintra Cinema, situado no bairro da Portela, foi apresentado publicamente nas instalações do Urbanismo da Câmara Municipal de Sintra.
Com uma área de intervenção de 2.700 metros quadrados, o projecto prevê a transformação do Sintra Cinema numa unidade hoteleira, com 54 quartos (108 camas), com a zona envolvente a ser destinada a um auditório, com capacidade para 200 lugares, num novo corpo que inclui 1500 m2 de superfície comercial, apoiados por 93 lugares de estacionamento em cave (dois pisos).
Para o arquitecto Salvador Martins, o projecto apresentado foi encarado como uma intervenção de requalificação urbana, “com a transformação do icónico Sintra Cinema no Sintra Auditorium”, mas não apenas de mera reabilitação de um edifício que será reconvertido para unidade hoteleira, mantendo a fachada. Para o efeito, foi  tido em consideração o que seria vantajoso “para todo o quarteirão em termos urbanísticos, de circulação viária e pedonal”. Segundo o arquitecto, o programa definido pretendeu, para além da requalificação urbana, “a regeneração da malha urbana, recuperação da fachada do Sintra Cinema, criação de valor arquitectónico, redimensionamento dos passeios públicos e introdução de programa dinamizador”. A solução apresentada visou “o equilíbrio de massas entre os dois volumes, o do Sintra Cinema e o novo a ser criado para rematar esta frente de rua, com a interligação dos dois corpos através de um volume horizontal”, salientou o arquitecto, para quem foi tido em atenção “o desafogo ao nível da circulação viária”.
O novo volume inclui o auditório, que será cedido, em moldes a definir, ao município, sendo envolvido por áreas comerciais.  “Com esta intervenção, o quarteirão fica equilibrado, justo e bem tratado”, reforçou o autor do projecto, referindo-se a uma zona ocupada por uma vivenda em estado de degradação e um terreno ao abandono, paredes-meias com o Sintra Cinema. 
Segundo José Justino, esta solução irá, finalmente, “viabilizar a reabilitação do Sintra Cinema, assim como a requalificação de um quarteirão nobre da Vila de Sintra”. Este projecto, por incluir uma oferta hoteleira, comercial e de cariz cultural, deverá “ter um efeito catalisador na oferta de serviços de apoio complementares, criando mais de uma centena de postos de trabalho e uma nova dinâmica no próprio bairro da Portela de Sintra”. O sócio-gerente da Valreal adiantou que a presente informação prévia será transformada, oportunamente, num pedido de licenciamento e espera, “muito em breve, conseguir iniciar a construção deste projecto”. Questionado pelos jornalistas, José Justino frisou que não é possível quantificar o montante do investimento, “depende também da categoria dada ao hotel”, que deverá ter o estatuto de três ou quatro estrelas. Também não está decidido, ainda, se será a própria Valreal a assumir a gestão do hotel ou entregará a concessão a um operador.
Quanto ao avanço das obras, o presidente da Câmara, Basílio Horta, estimou que os trabalhos possam arrancar até ao final do corrente ano. O edil rejeitou que o projecto possa aumentar as dificuldades de circulação na zona da Portela de Sintra, porque, para além da criação de 93 lugares de estacionamento,  “a própria rua é objecto de intervenção por forma a garantir a fluidez do trânsito”. Durante a apresentação do projecto, o autarca sintrense realçou que “a Câmara não é indiferente à existência de espaços, em zonas nobres, abandonados, nem este nem outros que ainda se mantém, que devem ser requalificados e devolvidos à população”. O projecto agora apresentado, segundo o autarca, “é uma parceria entre o interesse privado e o da comunidade”. Para o edil, um espaço ao abandono, “sem qualquer dignidade para o coração de Sintra”, é transformado num “projecto muito bonito” que, ao mesmo tempo, “é uma oferta cultural muito importante”. O auditório vai funcionar, revelou, como “um teatro municipal, onde os nossos grupos possam fazer ensaios” e apresentar a sua programação.
 
João Carlos Sebastião